Tio Samba

(21)9290-2749 Ana Charret
ana@desarts.art.br
facebook.com/tiosamba

Tio Samba: a orquestra típica de samba no Século XXI

 

I- INTEGRANTES 

Carlos Mauro - voz; Luciana Lazulli - voz; Fabiano Segalote - trombone e bombardino; Marcio Arese - sax tenor; Beatriz Stutz - clarineta e sax alto; Matheus Moraes - trompete e flugelhorn; Carlos Vega - tuba; Bernardo Dantas - violão; Thiago Cunha - cavaquinho; Marconi Bruno - percussão; Alfredo Alves - percussão; Diogo Barreto - percussão.

II - O GRUPO

Surgido em 1998, na cidade de Niterói, RJ, o Tio Samba define-se como uma "orquestra típica de samba". Seu repertório é constituído de composições de autores como Noel Rosa, Ary Barroso, Geraldo Pereira, Ataulfo Alves, Cartola, Ismael Silva, Assis Valente, Tom Jobim, Baden Powell, Chico Buarque e outros gênios da nossa música popular, além de sambas de autoria dos próprios integrantes do grupo. Seu principal diferencial são os arranjos que, ao unir os típicos violão, cavaquinho e percussão dos regionais de samba com os instrumentos de sopro geralmente utilizados nas bandas de música, produzem uma sonoridade ímpar, muito vibrante e também sofisticada.

O grupo já tocou com grandes intérpretes e compositores de samba: dentre eles Wilson Moreira, Walter Alfaiate, Delcio Carvalho, Tia Surica e Paulo Marquez, além de ter se apresentado com artistas como Nana Caymmi, Germano Mathias e Luciana Alves. Em seu currículo, incluem-se apresentações em diversas casas de espetáculo destacando-se a Sala Sidney Miller, da Funarte, o Centro Cultural da Light, o Teatro Rival, o Teatro Municipal de Niterói, o Teatro da UFF, o Teatro Municipal de Nova Friburgo, a Choperia do Sesc Pompéia, o Allegro Bistrô da Modern Sound, o Centro de Convenções do Anhembi, a Sala Baden Powell, o Centro Cultural da Justiça Federal e o Centro Cultural Carioca.

Em 2003, o Tio Samba lançou seu primeiro CD, Quero Ver (Ethos Brasil) com composições próprias e sambas de autores consagrados. Em 2010, produziu o CD É Batata! -  Carmen Miranda Revisited (Centro Cultural Carioca Discos), totalmente dedicado a uma releitura do repertório da "Pequena Notável". Em 2012, chegou ao mercado o CD "Mais pra cá do que pra lá" (Delira Musica), com um repertório constituído exclusivamente por canções inéditas e autorais.

III - A IDEIA ORIGINAL 

Noel Rosa, numa entrevista dada em 1935 ao jornal O Debate de Belo Horizonte, analisou as tranformações que o gênero samba havia sofrido desde sua origem até aquele momento e ressaltou a importância da criação de um grande grupo musical que não se subordinasse ao repertório e às fórmulas musicais das orquestras de baile cujo objetivo é claramente fazer dançar, mas que fosse especializado em tocar sambas e que se dedicasse à estilização do samba e ao desenvolvimento de sua linguagem musical característica. Uma espécie de orquestra típica de samba, assim como existem a orquestra típica de tango e a orquestra típica da jazz, com as suas combinações instrumentais características e seus repertórios específicos. Uma orquestra em que a base fosse o violão e o cavaquinho, com o ritmo conduzido pelos instrumentos de percussão característicos e os arranjos desenvolvidos com fundamento na tradição melódica e harmônica do gênero.

As ideias de Noel Rosa voltaram a ser objeto da atenção do público na década de 90, quando houve a edição da magnífica biografia de Noel, escrita por João Máximo e Carlos Didier. Na mesma época, houve na cidade do Rio de Janeiro um novo interesse geral pelo samba tradicional, inclusive com o surgimento de concorridas rodas de samba em alguns bairros da cidade. Foi neste contexto que o cantor Carlos Mauro imaginou como poderia ser concretizada a idéia de Noel em termos de combinação de instrumentos.

Como criar uma sonoridade orquestral para o samba sem cair no jazzismo das big bands de baile? Como veicular alguns elementos da linguagem instigante da música de concerto através do repertório das rodas de samba? Estas são as perguntas que o cantor fazia a si próprio em 1996, quando começou a devorar toda informação sobre o samba que lhe caísse nas mãos, muita leitura e muitas gravações - foi um tempo de muitas reedições de gravações de música da primeira metade do Século XX em CD. Foram dois anos dedicados à pesquisa das obras geniais de compositores como Ary Barroso, Wilson Batista, Ataulfo Alves, Cartola, Ismael Silva e tantos outros, além do já citado Noel Rosa. Estavam ali a semente e o ambiente necessários para o surgimento em Niterói de uma orquestra típica de samba, 63 anos após a entrevista dada por Noel ao jornal O Debate.

IV - O INÍCIO

Em maio de 1998, Carlos Mauro convidou o saxofonista Marcio Arese para juntos colocarem em prática a idéia da orquestra típica de samba. O nome Tio Samba surgiu como uma brincadeira com o Tio Sam, simbolo do governo dos Estados Unidos, sempre presente nos cartazes de convocação para o alistamento dos jovens nas forças armadas americanas acompanhado dos dizeres "Nós queremos você" (We want you). Além disso, é uma referência ao tratamento carinhoso e repeitoso que as crianças e jovens brasileiras costumam dar às pessoas mais velhas muito queridas.

As primeiras providências tomadas foram a seleção de um primeiro repertório, formado por clássicos do samba compostos entre os anos 20 e 50 do século passado, a busca de outros músicos que quisessem integrar o grupo e a contratação de um arranjador que traduzisse em linguagem musical as ideias conceituais que constituiriam a identidade da orquestra. A combinação instrumental partiu das seguintes premissas: como as apresentações iriam ocorrer sempre com a utilização de microfones, o Tio Samba contaria com apenas um instrumento musical de cada espécie, buscando obter uma sonoridade orquestral com o mínimo de integrantes possível. Seriam dois instrumentos da classe dos metais (trompete* e trombone), dois instrumentos de palhetas (sax tenor e sax alto ou clarineta), uma tuba, um violão, um cavaquinho e três percussionistas. Inicialmente com apenas um cantor**, o Tio Samba seria formado por onze integrantes. 

Para fazer os arranjos***, foi escolhido Carlos Almada, compositor premiado de música erudita conteporânea, pesquisador e teórico consistente e de idéias originais nos campos de harmonia, contraponto e arranjo. Ele dotou o Tio Samba de uma sonoridade que reunia a tradição das orquestrações registradas nas gravações clássicas dos discos de 78 rpm com a polifonia característica da música de concerto e uma grande sofisticação rítmica, típica da música conteporânea. Esta linguagem diferenciada nos arranjos e o fato de a formação instrumental do grupo apresentar tuba, violão, cavaquinho e três percussionistas em vez de baixo e guitarra elétricos, teclados e bateria conferiram ao grupo uma personalidade bastante original.

Formado o grupo e aprontados os arranjos, iniciaram-se os ensaios em julho de 1998. Em outubro daquele ano, o Tio Samba fez sua primeira apresentação pública tocando algumas músicas numa cerimônia ao ar livre no centro da cidade do Rio de Janeiro. Em janeiro de 1999, fez seu primeiro show na extinta casa noturna Arco da Velha, na Lapa. A partir de fevereiro do mesmo ano, o grupo passou a se apresentar nas noites de sábado no bar-antiquário Emporium 100, um dos locais em que se iniciou o processo de revitalização cultural da Lapa e o surgimento de nova geração de artistas ligados ao samba.

A partir de seu trabalho na Lapa, o Tio Samba foi convidado a participar de muitos shows e projetos, em vários locais nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, sempre mantendo sua característica distintiva que é a de levar não apenas música de qualidade para seu público mas também informação cultural relevante, através da escolha criteriosa do repertório, do meticuloso e racionalizado trabalho de arranjos e das falas com informações importantes sobre os compositores e intérpretes das músicas apresentadas.

* Nos períodos entre junho de 2001 e novembro de 2004 - inclusive na gravação do CD Quero Ver - e entre julho e dezembro de 2008, o trompete foi substituído pela flauta, conferindo ao grupo uma sonoridade mais próxima da dos regionais de choro. Em dezembro de 2008, o Tio Samba voltou a apresentar a sua formação instrumental original.

**O ingresso da cantora Simone Lial  (em 2012, substituída por Luciana Lazulli) no grupo aconteceu somente em 2009, estabelecendo a formação atual do Tio Samba com doze integrantes.

*** Atualmente, além de Carlos Almada, Bernardo Dantas, Gilson Santos, Bruno Marques, Maico Lopes e Fernando Brandão também fazem arranjos para o grupo.